O que é a agricultura itinerante

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A agricultura itinerante é muito utilizada em países menos desenvolvidos e ainda hoje é muito usada como forma de gerir as atividades agrícolas de subsistência. Conheça mais sobre esta forma de agricultura, em que consiste, quais as suas características principais e quando é colocada em prática.

O que é a agricultura itinerante?

A agricultura itinerante é um dos quatro tipos básicos de agricultura nos quais se dividem as atividades agrícolas. Essa divisão é feita segundo as técnicas de cultivo e a distribuição dos seus produtos e compreende a agricultura itinerante, agricultura de jardinagem, agricultura de plantação e agricultura moderna.

A agricultura itinerante é um tipo de agricultura primitivo adotado historicamente pelos povos indígenas nas florestas tropicais e desde tempos recuados nos ecossistemas mais antigos. As técnicas empregues são arcaicas formas de plantio, colheita e tratamento de solo.

Em que consiste a agricultura itinerante?

A agricultura itinerante consiste em derrubar trechos das florestas e posteriormente atear fogo aos resíduos do corte, processo que vulgarmente se chama “queimadas”. O derrube e corte do mato são feitos em solos cobertos com floresta densa, e os materiais resultantes do abate são depois aproveitados para lenha, vedações e construção, sendo os desperdícios queimados antes das sementeiras.

Este processo destina-se a preparar a terra para o cultivo de subsistência, e torna o terreno mais fértil durante 2 a 3 anos, nalguns casos pode chegar até ao limite de 6 anos. Passado o período de fertilidade do terreno este é abandonado por estar improdutivo, e o agricultor desloca-se em migração buscando um novo terreno onde colocará em prática processo semelhante.

Durante o período de pousio do terreno abandonado ocorre naturalmente a instalação de floresta secundária, o que vai dar origem a que dentro de 10 a 20 anos após ser abandonado o terreno volte a ser produtivo, sendo novamente utilizado para o cultivo.

As principais características da agricultura itinerante

É normalmente aplicada em áreas de agricultura descapitalizada em que o agricultor não é o proprietário do terreno, mas apenas um ocupante temporário de terrenos devolutos ou particulares.

O facto de não existirem recursos humanos e técnicos suficientes para explorarem terrenos de grandes dimensões leva a que quase sempre a agricultura itinerante seja praticada em pequenas e médias propriedades, geralmente próximas da residência do agricultor (embora também seja possível encontrar ocasionalmente agricultura itinerante em grandes latifúndios).

Este género de agricultura tradicional caracteriza-se por ciclos de uso e pousio de terrenos abertos usando descontroladamente técnicas rudimentares. É uma agricultura considerada nómada, devido ao facto de os agricultores se deslocarem de terreno em terreno e por isso se chama "Itinerante".

O baixo nível tecnológico desta forma de agricultura implica o uso de métodos tradicionais transmitidos oralmente de geração em geração. Trata-se de um tipo de agricultura para principiantes onde a mão-de-obra é frequentemente familiar e com recurso ao trabalho infantil.

Os principais inconvenientes da agricultura itinerante

Na agricultura itinerante não se utilizam as técnicas corretas de manuseamento tais como adubar, construir trechos de água e ter em conta a ação das chuvas e/ou da falta delas.

A não-utilização de técnicas racionais de agricultura provoca um maior cansaço do terreno e um consequente desmatamento acelerado. Ao queimar a vegetação característica do terreno o agricultor prejudica a atividade dos micro-organismos presentes no solo e diminui a fertilidade do mesmo devido à redução de nutrientes.

O aumento fugaz de produtividade observado nos solos onde se procedem a queimadas deve-se ao aumento de nitrogénio na constituição do terreno, mas passados alguns meses este nitrogénio é levado em enxurrada com as chuvas, e o que fica para trás é um solo muito mais pobre e enfraquecido.

Nos países onde se pratica este género de agricultura assiste-se todos os anos à destruição de grandes áreas de mato e floresta, principalmente durante a época seca, com todas as consequências ambientais que daí derivam.

Quais os alimentos mais produzidos no regime de agricultura itinerante?

Regra geral são cultivados todos os produtos alimentares que mais procura tem na agricultura de subsistência, tal é o caso das culturas de horta (milho, feijão, abóbora, batata-doce, nabo, inhame, rabanetes entre muitos outros produtos específicos de cada região).

De salientar a importância do cultivo da mandioca, que é em muitos casos a cultura chave para entender as especificidades do sistema agrícola itinerante.

Em que zonas do globo ainda hoje se pratica agricultura itinerante?

Essencialmente nos países em desenvolvimento, ou nas zonas de agricultura tradicional. São exemplos alguns países de África, América Latina, Ásia Central, sudeste Asiático. São de realçar os casos bem concretos de determinadas regiões do Brasil, quase todo o território de Moçambique e as florestas tropicais de Timor-Leste

A agricultura itinerante vai perdendo destaque face a novas e mais sustentadas formas de agricultura, onde são respeitadas normas e preceitos tecnológicos mais desenvolvidos. À medida que o agricultor tradicional vai dando lugar ao agricultor esclarecido e moderno a agricultura itinerante vai-se tornando cada vez mais rara. Porém nos países mais pobres ou mais subdesenvolvidos ainda terão que passar muitos anos até que a tecnologia leve a melhor à tradição. Até lá continua-se a assistir à degradação de florestas e de solos, causada entre outros fatores por esta agricultura invasiva e recessiva, com efeitos mais graves quanto maior e mais prolongada for a sua utilização.

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