Agricultura de subsistência: cultivar para comer

Cenouras com rama
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Quando ouvimos falar em subsistência, imaginamos imediatamente alguma técnica utilizada para prover a sobrevivência dos indivíduos. E é precisamente nisso que consiste a agricultura de subsistência, já que é através dela que tudo o que é cultivado e produzido serve para a alimentação e manutenção de uma vida saudável. Ficou curioso com o tema? Então perceba um pouco melhor a técnica e pode ser que decida juntar às suas atuais responsabilidades, uma nova função: a de agricultor de subsistência.

O que é a agricultura de subsistência?

A agricultura de subsistência pode ser definida como toda e qualquer prolação na agricultura, cujo objetivo seja manter a sobrevivência do agricultor e das pessoas que dependem dele. Uma das principais caraterísticas deste tipo de agricultura é a utilização de técnicas e ferramentas tradicionais como a foice, a enxada e o arado, que são, desde sempre, os mais utilizados pelo homem nas suas plantações agrícolas.

A agricultura de subsistência é bastante comum em pequenas propriedades rurais, em quintas, e até mesmo em espaços onde a pobreza se faz sentir com maior rigor, oferecendo uma produção bastante baixa quando comparada com a que é obtida pelos agricultores que utilizam maquinaria nas suas plantações. Normalmente chamadas de minifúndios, essas pequenas propriedades rurais que utilizam a agricultura de subsistência, apresentam um claro contraste em relação à agricultura comercial, onde os seus produtores visam exclusivamente o lucro com a venda daquilo que produzem. Por norma, a agricultura de subsistência envolve a plantação de fruta e legumes vários e, hoje em dia, até pode ser praticada no jardim de casa.

A agricultura de subsistência será, então, uma agricultura familiar?

Apesar de parecerem conceitos semelhantes, existe uma diferença entre a agricultura familiar e a agricultura de subsistência: na segunda, e como já se referiu, o objetivo principal não passa pela obtenção de lucro, enquanto na agricultura familiar pode haver a preocupação em fazer negócio com as produções obtidas.

Assim, a agricultura de subsistência é sempre uma agricultura familiar, na medida em que o agricultor produz, sem fins lucrativos, alimentos para si e para a sua família, mas a agricultura familiar nem sempre pode ser considerada uma agricultura de subsistência, uma vez que pode existir uma preocupação com a geração de lucro para o produtor.

O declínio da agricultura de subsistência

De acordo com produtores e agricultores mais experientes, com o novo modelo económico vigente, verificou-se uma modernização muito rápida da agricultura, com o surgimento de novas maquinarias e até de sementes com genes modificados, com o único objetivo de incrementar ainda mais a produção de alimentos e de, consequentemente, obter mais lucro. Isto traduziu-se num período de declínio para a agricultura de subsistência, com a diminuição do pequeno agricultor e produtor que, até aqui, garantia as suas plantações em pequenas propriedades rurais ou em quintas particulares. Noutra perspetiva, verificou-se um regresso às origens e a tendência crescente na agricultura de subsistência em casas particulares, como passatempo e atividade de lazer, que acaba por produzir frutos que podem ser aproveitados por quem trabalha a terra.

Principais formas da agricultura de subsistência

Como principais formas de agricultura de subsistência, podem ser destacadas:

  • A agricultura itinerante – neste tipo de agricultura, a principal caraterística é a queima ou derrubada de plantações, com o objetivo de aumentar as áreas das terras que deveriam ser cultivadas. Apresenta como principal desvantagem o fato de tornar o solo pobre, pois os nutrientes presentes são também exterminados juntamente com as queimadas.
  • A agricultura de jardinagem – apesar do nome lembrar o cultivo de um jardim, a agricultura de jardinagem é, na verdade, desenvolvida em terras onde a fertilidade é renovada pelas moções. Esse tipo de agricultura é desenvolvido em solos que não ficam inundados com as águas das chuvas abundantes, que são caraterísticas do clima quente do verão. Neste tipo de agricultura, o agricultor constrói camadas ao longo das encostas dos montes, favorecendo a diminuição do processo de erosão e facilitando uma maior quantidade de absorção de água pelo solo.

Conhecer mais profundamente o que significa uma agricultura de subsistência é o primeiro passo para que, no futuro, existam agricultores empenhados em desenvolver técnicas mais modernas de aprimoramento do solo e, consequente, melhores plantações. E, numa altura em que a crise económica é um tema cada vez mais discutido, uma das medidas de poupança pode passar, precisamente, por aproveitar um bocado de terreno próprio para produzir o que vai para o prato. A carteira agradece. E o paladar também.

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